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sábado, 21 de maio de 2011

O PREÇO

O tempo é certamente um dos fatos da nossa vida, que mais muda seu próprio valor. Enquanto ainda somos jovens, a preocupação com ele praticamente não existe.
Você vai envelhecendo e não sei exatamente se é um fato real ou uma sensação.


Mas um dia você acorda de manhã e parece que a noite chegou mais depressa que no dia anterior.


Então mais depressa no dia seguinte, depois mais e um pouco mais nos próximos.


Muitas outras sensações mudam assim como o tempo, talvez uma das menos gloriosas, a constatação de que não podemos dizer tudo que gostaríamos. Que não podemos agir exatamente como gostaríamos. Em troca da simples tentativa de ser aceito, simples porém eficaz.


Quem fala demais ou age por impulso, tende a ser visto, com poucas situações necessárias, como um inconveniente.


Pessoas não sabem lidar com o inesperado, com o inconstante, com a mais sutil ameaça às suas rotinas. Casam, buscam bons empregos, filhos, animais de estimação, amigos e passam a fantasiar que é um ideal de vida, uma meta, um objetivo necessário para se sentirem completos.


Na realidade, nada além da necessidade de evitar que o destino possa fazer todas as escolhas. Entre a sorte e o azar, é preferível fazer suas próprias escolhas e se confortar delas.


Bloqueiam as chances de que novas possibilidades possam ter de nascer a cada momento, dos lugares mais inesperados e que nos levarão a realidades tão diferentes, que se torna impossível sentir-se confortável.


Não é nenhum pensamento original, mas vivemos em uma realidade fragilmente falsa, de harmonia inexistente. Nesta tentativa de não abalar o comum, o costumeiro, o status quo, criamos nossas próprias conveniências. Escondemos sentimentos, sufocamos necessidades e desejos, que vão muito além do sexual.


Talvez este seja o mais rápido e fácil de resolver. Em qualquer esquina, com poucos trocados, tudo se resolve.


Pense mais além. Pense mais profundamente. Quantas vezes você calou suas idéias, recusou seu instinto de poder dizer tudo o que gostaria, para agir da maneira mais inconsequente, de um jeito que você nem pode imaginar.


Por isso precisamos de tantos estímulos e distrações. E mesmo diante de tantas tecnologias e novidades, continuamos frustrados, inquietos, sufocados, depressivos. Não temos a capacidade de entender que todo sentimento sufocado, gera uma sequência de consequências que, podem garantir nossa sobrevivência em sociedade, mas são incapazes de garantir a sobrevivência de sua verdadeira personalidade dentro de si mesmo, dentro de sua própria consciência.


E essa morte interior terá como única vítima, você.


A sociedade continuará, filhos tomarão o lugar dos pais, outras pessoas tomarão o lugar de outras pessoas e todos nós passaremos por esta vida, sem saber exatamente o motivo de nunca ter escolhido suportar o fardo que precede a verdade, em troca da verdadeira liberdade.


Eu gostaria de dizer coisas que não posso dizer.
Eu gostaria de ter atitudes que eu não posso ter.
Eu gostaria de pagar um preço que eu não posso pagar.


Em busca de uma sobrevivência meio morta.
Pela metade, convivendo eternamente com o quase.
Com o que poderia ser e nunca será.
Com as causas já perdidas.
Com todas as coisas que nunca serão ditas, para pessoas que precisavam ouvir verdades que foram cerceadas.
Ainda não consegui entender, qual o mérito.


Provavelmente nenhum.
Perdemos o tempo onde a honra era defendida na lâmina de uma espada.
Onde para sobreviver, precisava coragem.
Hoje compramos nosso direito a palavra,
paradoxalmente pagando com silêncio.

EU GOSTO

De arte, teatro, fotografia, literatura, músicas, cantigas, pôr-do-sol, noites de luar, vento frio no rosto, noite estrelada, ondas no mar, céu azul e nuvens brancas, chuva no fim da tarde, conversas longas, histórias fantasiosas, pessoas estranhas e lugares bonitos.


Gosto da força do silêncio, do vôo do besouro, de ver além da máscara, de ficar sozinho, de piscar de olhos, da luz da manhã, poeira em feixes de luz, contradições, delicadezas, pequenas gentilezas, voz suave, olhar forte.


Gosto de pensar… Em coisas que você não pensaria.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Desabafo

Sabe,há alguns anos escrevo aqui neste blog, mais precisamente desde 2009. Tento sempre trazer um pouco das coisas que eu gosto e que principalmente as quais me mantém vivo, que mantém minha lucidez, do meu jeito, torto talvez, mas foi o caminho que consegui trilhar. De fato, nada foi muito fácil para mim até hoje, minha vida é repleta de erros, lágrimas, tristezas profundas, mágoas, decepções, azares, seja lá qual nome podemos dar para os planos que dão errado. Vivo prometendo escrever um livro de todas as desventuras que enfrento, mas não sei o quanto sincero eu poderia ser, sem magoar algumas pessoas, sem que todos envolvidos saibam que trata-se apenas de pensamentos e lembranças.


Eu não sou nem de longe a pessoa que mais sofreu nesta vida, nem sei se minha história tem algo de realmente interessante para ser contado, passado adiante, eternizado em um livro. Talvez seja só desculpas para procratinar algo que não sei sua verdadeira importância, mas talvez o que mais me impede é que minha realidade não inspira o vislumbramento de um final feliz. Não é deste modo que todo livro deve acabar? Como diz a canção: ‘…se há sorte, eu não sei, nunca vi…’.


Eu não conheço as pessoas que acessam o blog todos os dias, mas me preocupo com cada um que chega até o blog, pelos caminhos mais diversos, buscando por tantas respostas, que talvez não encontrarão. Para ser totalmente sincero, eu nunca pensei em escrever um blog esperando que alguém tivesse interesse em ler, tento retribuir com uma dose de confiança, que paradoxalmente pareço ter tanto e tão pouco.


Você já se deparou com um momento em sua vida, em que você se pergunta porque está vivo? Sem conseguir encontrar algum motivo genuinamente válido. Ao mesmo tempo, teme encontrar uma razão a qualquer momento, justamente quando pode ser tarde demais. Algo como esperar tanto tempo pela felicidade que acaba esquecendo de viver com aquilo que a vida pode lhe dar. Queria apenas pensar menos em tudo isso, ficar um pouco inerte, alheio, desligado, fora de área. Este não é um pensamento do Wills, ele pode nem fazer sentido, apenas queria pensar alto, escrevendo aqui um pouco das minhas inquietações, talvez assim minha cabeça pare de doer de tanto pensar, pensar e pensar, abrir um pouco de espaço.


Estou ouvindo uma música que acho muito bonita. Não sei exatamente o que ela tem de tão especial para mim. Me traz lembranças boas da infância. Da época em que acordava cedo, já que não precisa ir para a aula, aproveitava para assistir Globo Rural, vendo aquela vida que corria em uma velocidade diferente, de dias mais longos. De quem olha para o céu, de quem espera a chuva, de quem precisa de sol. Daqueles que precisam que a vida floreça para que a sua própria vida aconteça. Tudo aquilo que nos faz acreditar que existirá um dia melhor amanhã, de que a dor acaba e de que as lágrimas sempre secam.