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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Inevitabilidades

Quanto a ele, sabe exatamente como chegou ate aqui. Vê a lógica da repetição do padrão do qual não poderia fugir. Vê claramente a cor agreste do padrão simétrico e distante que nunca poderias ter evitado. Não tens direito a esse desespero. Porque o fraco de possibilidade que ele teve foi tirado docemente por ti. Ah, que importa que não tenhas culpa? No final, tudo o que sabe, é que foste tu que arruinaste aquela existência áurea e pacifica. Que importa que tenha sido uma fatalidade triste e melancólica ao som de um Sol que não tem força para aquecer? Que importa que tenha sido um belo e romântico flanco porque o amavas demais e ele amava-te e não podia nem devia? Agora está exatamente onde pertence. Nada é perfeito. E ele vai-se sempre embora amanhã, a pergunta é se sente a tua falta o suficiente para voltar sem nunca deixar de ter partido? Sim, a pergunta é essa. Consegues ficar com um pedaço dele? Não. Claro que não. E sempre souberam isso. Por isso é que ele sabe exatamente como chegou aqui, a esta realidade agradável onde tu não existes.

Dureza

Continua a ser confusamente curiosa a forma como o teu Universo se inverteu e continuaste exatamente no mesmo lugar. Já não és tu e, no entanto, não poderia ser mais teu esse teu eu. Não deixa de ser esquisita a rotina de uma época tornar-se numa memória distante da qual te lembras tenuamente. Foi a tua vida, foste tu, um eu bem definido e delimitado que depois morreu e que tu enterraste num canto da praia.

Apareceste de negro cru no teu funeral e foi o único que não gastou lágrimas prateadas. Foi o único que soube exatamente o que estava a acontecer e qual a drástica conseqüência de um gesto tão inocente e tão simples. Por isso, foi o único no teu funeral cujo rosto foi firme e duro, insensível como uma pedra. Não ias sentir a falta do teu eu. Continua a ser estranho. Porque andaste a percorrer um circulo, mas caminhou sempre numa linha Reta. Fim e Inicio. Tão simples, tão conciso, tão êxito. E, no entanto, perdeste-te nas voltas que deste. És tu, continuas a ser tu. Mas quebraste a rotina de um eu que agora já nem sabes quem era. Tu, num mundo paralelo queimado. Não sentes qualquer saudade do teu morto eu.

Inútil

“O passado é inútil como um trapo”. Ele passou pela tua rua e a memória daqueles tempos doces de cheiro a amoras selvagens brilhou-lhe no coração durante um fraco de tempo. Mas depois até essa memória da memória lhe desaparece da mente. E a memória é objetivo, é fria. Não sente nada para alem de uma sensação de familiaridade, que é sempre uma sensação suavemente calorosa. Não sente para alem daquele arrepio de Dé já Vu porque já apanhou este autocarro antes, já saiu nesta mesma paragem antes, contigo a salvo no peito. Mas é inútil. Porque é o mesmo eu dele. É o mesmo autocarro. É a mesma rotina, o mesmo quotidiano. É a mesma cidade, permaneceu imóvel a esse romance falhado. Um romance falhado serve unicamente para uma espécie de aviso de não repetição. Uma cicatriz no coração. Um romance falhado é uma marca sensorial e são serve para isso, para se dizer que se viveu de alguma forma de alguma maneira. Amor não existe sem certo conceito de aleatoriedade. Foi tudo inútil, agora nada existe. Até o flanco foi inútil. Gastaste-o e ele renasceu e já não sabe quem és. Recorda-te como se recorda de uma equação brilhante matemática ou de monumento magnificente que o fascinou. Recorda-te sem se lembrar de quem és. “O passado é inútil como um trapo”.

Destino

Se pensares bem, ele estava destinado a ser isto. Desde o inicio. Desde sempre. O flanco espetacular da tua própria expectativa. Se vires corretamente, como naqueles filmes memoráveis que viste tantas vezes, concluir as que ele nunca pode ser outra qualquer coisa. Para alem disto. De este ser. Sei que o tentaste salvar. Mas era inútil. O salvamento era inútil. Ele não queria ser salvo, nunca quis. Houve, de fato, uma altura em que procurou outra saída. Mais bonita mais adequada. Mas não, não teve essa oportunidade. Acabou exatamente como acaba as pessoas como ele. Entende. Ele quer perder-se em cigarros sombrios, em uísques sucessivos. Ele quer ser esse ser. Ele nasceu para ser esse ser. Podes esforçar-te por evitar, mas não podes bloquear aquele nervo sensorial e consciente que o leva exatamente para onde pertence. Para onde lhe guardam um lugar. O mundo dos loucos. É esse o seu lar. Bem o tentou, ganhar outro lar contigo. Mas foi inútil. Ele também é louco, sempre o foi. Sempre o será. Aquilo a que chamas salvação é uma forma de vida. É a forma de vida dele, desde o inicio. Desde sempre. Ele é feliz assim. Inteiramente louco. Inteiramente ele. Adiaste este destino, mas não o podias bloquear. Ele é ele, nasceu para isto. Foi tempo de vida inútil que gastaram os dois.

Carta de Despedida

Afogar a mágoa em qualquer coisa, ainda que seja corrosiva, soa melhor do que deixá-la viver a vida que ainda existe em mim. Deixá-la viver a existência que é a minha.

Lamento.

Se não estás aqui é porque, lá no fundo, nunca quiseste ficar e eu nunca quis que ficasses. É porque, lá no fundo, não existes. Já não existes. Os mortos algum dia acabam por ser esquecidos. Nunca quis eu, verdadeiramente, que ficasses.

Lamento.

Por mim. Porque todos os mortos serão esquecidos, um dia. E sei que algures morri. Haverá um dia em que já não saberei quem sou. Haverá um dia em que me esgotarei em pensamentos inúteis e vazios. Precedentes de atos que nunca executei. Algures, morri.

Lamento.

Que me tenhas ferido na única coisa intocável na existência humana – o meu conceito de futuro.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Ola, sofrimento!

UM GRANDE SABIO INDIANO disse uma vez: se você conseguir enfrentar o tigre da vida, poderá conseguir tudo o que quiser. Mas o que é esse animal feroz, que ao ser domado nos garante o bem viver? É o sofrimento, que precisa ser encarado de maneira saudável e positiva. No dia a dia, estamos constantemente competindo em todos os sentidos: no mercado de ações, no trabalho, nos relacionamentos. Nada é seguro. Perceber essa impermanência como liberdade e não angustia faz toda a diferença.

Como colocar isso em pratica? Abraçando o sofrimento em vez de fugir dele. Apenas quando aceitamos nossos medos e inseguranças é que eles desaparecem. E isso é feito de forma fácil por meio da meditação. Agora mesmo, durante este pensamento, procure uma posição confortável. Mantenha a coluna ereta, feche os olhos, inspire profundamente, traga a sua atenção para o aqui e o agora e comece a relaxar. Perceba os desconfortos do seu corpo gerados pela postura rígida que costumamos ter perante a vida.

Foque o seu pensamento no seu sofrimento, no seu sofrimento de culpa, em algum medo, em alguém que o magoou. E permaneça aí – simplesmente permaneça aí. Encare a experiência como ser sua criança interior estivesse brincando de esconde-esconde. Continue inspirando e experirando profundamente e sinta seu corpo se soltando, se abandonando a essa descontração.

Quantas vezes você já ouviu dizer que toda doença tem um fundo psicológico envolvido em seu aparecimento? Trabalhe as emoções faz bem e gera saúde, alem de evitar queda em emoções faz bem e gera saúde, alem de evitar queda em nosso sistema imunológico.

Quando permanecemos abraçados ao sofrimento como se fosse nosso melhor amigo, ele começa a se dissipar. É algo automático, que não requer esforço. Ou seja: sinta a dor até a última gota porque então ela acaba.

Essa postura requer mudança de atitude interna que há milênios está gravada em nossas células: fugir diante da dor. Mas dá para mudar, e você pode assumir agora o compromisso de fazê-lo. Crie um novo padrão de comportamento, totalmente focado em saúde e bem viver. A partir daí, sinta como é bom ser feliz!