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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Quanto menos, melhor

A CAUSA PRIMORDIAL de todas as doenças é o acúmulo de toxinas em nosso corpo, que impede o fluxo natural da energia. Essa é a visão da tradicional medicina indiana, ayurveda, mais antigo sistema de cura do mundo. Ao mantermos nosso organismo livre de toxinas contribuímos de forma decisiva para termos saúde - definida não apenas como ausência de doença, mas como um estado de contentamento geral, pelo simples fato de exisitir, de ser.
Nosso corpo é o templo da nossa alma e precisamos mantê-lo forte, flexível e saudável. Numa analogia simples, podemos dizer que nossa casa é o templo do nosso corpo - e também merecemos cuidados. É para esse espaço que voltamos todos os dias, é onde nos alimentamos, descansamos, vivemos em família. É o nosso porto seguro. E para mantê-la saudável também precisamos limpar as toxinas - ou seja, as tralhas que tendemos a acumular e que dispersamos a energia da prosperidade.
Aproveite para pensar sobre esse assunto. Você já tinha ouvido falar em toxinas da casa? São todos os objetos que não utilizados há anos, roupas das quais a gente não gosta mas que permanecem penduradas no armário, coisas feias, lascadas ou quebradas, papéis velhos, remédios vencidos...Enfim, tudo aquilo que ocupa espaço e atravanca o fluxo espontâneo da energia, assim as toxinas do nosso corpo.
Da mesma maneira que devemos manter peso do corpo, precisamos também manter o peso da nossa casa para termos saúde. Ao nos desapegarmos das coisas velhas, abrimos automaticamente espaço para que a energia que estava estagnada volte a circular. Tudo o que era negativo começa ficar limpo, e o espaço passa a ser preenchido por prana, energia vital do universo.
Reserve o fim de semana para pô fim à bagunça, liberte-se do acúmulo de coisas desnecessárias. Faça uma revisão crítica do que você acumulou ao longo do tempo, perguntando-se: preciso realmente disso? Ouço a resposta a partir do seu coração - e não apenas da razão - e separe tudo que o que não serve mais para dar a alguém que de fato usará aquilo.
Durante o processo de limpeza física do espaço onde você vive, aproveite a oportunidade para livra-se também das mágoas, tristezas. medos do passado...Livre-se dos barulhos! O silêncio é o campo fértil para nosso rejuvenescimento. Jogue fora o turbilhão dos pensamentos, assim você abre espaços entre eles, seduz o seu espírito e ouve as mensagens inspiradoras de sua alma. Pense nesse processo como uma faxina muito especial: a faxina da prosperidade e da felicidade.

Até a próxima!!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Marca: Uma imagem em questão

Desde que nascemos nos são emprestados alguns recursos simbólicos, significantes, valores, que nos possibilitam recobrir nosso corpo, nosso ser de alguma imagem em que possamos nos reconhecer. Em maior ou menor grau, falta sempre da parte do Outro um significante que nos dê a resposta sobre quem somos. De acordo com o investimento desse “olhar” do Outro sobre nós, somos dotados de mais ou menos recursos que nos possibilitam reconhecer-nos nessa imagem.

Algumas pessoas se fixam muito nessas imagens formadas pelo Outro, sem a menor possibilidade de libertação dessa imagem, que é sempre, imposta. Outros indivíduos sofrem pelo motivo contrário, de uma carência de imagem, de algo que possa dizer mais sobre eles.

Ambas as posições podem ser aprisionantes, de acordo com os recursos que durante a vida do sujeito. Existem dois pontos em que essa relação do sujeito com sua imagem é marcante. O primeiro momento ocorre nessa relação entre mãe e filho, ou com a pessoa que venha a ocupar o lugar dessa função materna. Esse é o ponto em que essa massa disforme, que é o bebê, ganha algum contorno, constituindo-se psíquica e até fisicamente. Portanto, o bebê vira “gente” alienado-se a significantes alheios. Essa alienação é necessária, pois a partir desses recursos mínimos ele pode constituir toda a sua subjetividade.

O segundo momento acontece quando essa relação com o espelho é abalada: a adolescência. Nessa fase o sujeito passa por uma série de drásticas alterações físicas e por uma grande mudança de posição em que ele ocupa perante os pais e a sociedade. Defronta-se com a passagem da infância para a fase adulta, está em luto pela criança que era e vai ter que abandonar. Nesse momento o peso que o grupo ocupa em sua vida supera o que os pais ocupam, e é no grupo em que vai buscar a sua imagem que vai ter que ser reconstruída.

E, nessa busca voraz por uma imagem que possa ser a sua imagem, criam-se os processos de identificação nos grupos. Uma relação quase tão alienante e constitutiva quanto a vivida em sua relação primordial com sua mãe. Atrás de uma subjetividade, de sua diferença, o adolescente torna-se igualzinho aos seus pares. É possível reconhecer as diversas “tribos” pelos seus modos de vestir, agir, falar. O adolescente está susceptível às propostas de uma possível resposta ao: quem sou eu?
Dentro de cada tribo, cada grupo, existem propostas de valores, mensagens, ou mesmo o pior, que impera na atualidade, uma grande carência destas. E qualquer coisa que possa vir a dar um corpo a isso que o grupo quer passar, ou que traga embutida consigo alguma proposta que o indivíduo possa se valer, para dar-se alguma imagem, entra como uma luva em uma mão despedaçada. Ou seja, a coisa passa a dar contorno ao indivíduo e sua imagem estraçalhada. No mundo em que vivemos hoje, dotado de uma extrema pobreza simbólica, destituído de valores e preceitos morais quem viria a fazer essa função? É neste ponto que entram: as marcas.
Essa “coisa”, esse objeto qualquer, portador de uma marca que traz consigo uma proposta, um propósito, uma imagem prontinha, redondinha e pré-fabricada, que casa perfeitamente com essa carência do jovem por uma imagem.

O Mercado percebeu isto, e passou a criar produtos com marcas que trazem em seu bojo aquilo que o jovem precisa ouvir, e o que nem sempre é aconselhável, o que ele quer ouvir, o que lhe é conveniente. E o próprio conceito de marketing está remetido a essa idéia: “a arte de fazer perceber valor”.


Assim, o Mercado torna-se a nova mãe dos nossos adolescentes. Uma mãe inescrupulosa que tem como único objetivo: o lucro, obtido através da dependência “imaginária” de seus filhos.


O negócio de muitas empresas deixou de ser a produção de bens e serviços há muito tempo. Hoje, preocupam-se apenas em produzir valores. São esses valores comprados nos tênis, nas roupas, nas pulseirinhas coloridas. São esses valores que encantam e seduzem os adolescentes. Não se trata se a coisa é útil, ou necessária, o desejo não está voltado para isso. O desejo busca o supérfluo, conceito que inclusive perdeu seu sentido na sociedade pós-moderna, que transforma o supérfluo em necessidade. Não interessa às empresas o que o cliente quer, e sim o que elas podem fazer com que eles queiram. Porque na verdade, ninguém sabe o que quer realmente, um adolescente com seus conflitos internos muito menos. As demandas não são geradas a partir de necessidades naturais, mas a partir de algum objeto que as precede. “É o produto que inventa a necessidade!” Inverte-se a lógica e criam-se pessoas para cada produto. As marcas estão na dimensão da fantasia, são constituidoras de imaginário, que diante de um simbólico fragilizado como o da adolescência, suprem a falta com significantes pré-fabricados, prometendo o gozo, calando angústias e impedindo a subjetividade. Sua eficácia e sucesso são determinados pela sua capacidade de revestir o sujeito de alguma imagem: “virilidade” de faz-de-conta, “poder” de compra, “liberdade” em aceitar o que é imposto, “status” descartável, e tantos outros que se compram em Shopings. Assim, o adolescente não precisa conviver com a falta, pois aí estão as marcas cheias de propostas, caminhos, horizontes.
A sua virulência atinge as mentes parasitáveis e abertas dos jovens, infectando-as com um poderio muito superior do que a influência sobre a de um adulto, que já está mais cristalizado. Com suas propostas de valor, as marcas inscrevem no inconsciente dos adolescentes programações que interferirão em sua vida adulta.
Na falta de marcas psíquicas, significantes que constituam sua subjetividade, é no corpo que estas marcas serão feitas ou usadas.


Pensando bem, em vistas a essa falta de valor imperiosa, a falta de significantes que infiram subjetividade: quem seriam nossos pobres jovens se lhes tirassem os tênis, as roupas, as pulseirinhas, os piercings e as tatuagens, afinal?

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O mel da vida

VOCÊ É SAUDÁVEL? Antes de responder, vamos combinar que saúde significa não apenas a ausência de doenças, mas também viver em estado de “ananda”, palavra sânscrita que pode ser traduzida como bem-aventurança, felicidade interior. Como se alcança esse nível? Segundo o ayurveda, tradicional medicina indiana e mais antigo sistema de cura do mundo, a conexão de ser humano com a natureza é um fator determinante nessa equação. Na tradição ayurvédica, o mel é considerado um dos melhores alimentos que existem. Tome algumas receitas para viver bem:

Ø Para diminuir o colesterol, tome três vezes ao dia uma mistura de duas colheres (sopa) de mel e três colheres (café) de canela dissolvidas em um litro de água;

Ø Para sinusite, tosse e resfriado, tome varias vezes ao dia uma mistura de uma colher (sopa) de mel com uma colher (café) de canela;

Ø Para dor de garganta, tome de quatro em quatro horas uma colher (sopa) de mel misturada com meia colher (sopa) de mel com uma colher (café) canela;

Ø Para perder peso, tome diariamente, meia hora antes de deitar e meia hora antes do café da manhã, uma mistura de uma colher (sopa) de mel, uma colher (chá) de canela e três xícaras de água;

Ø Para queda de cabelo, aplique por 15 minutos no couro cabeludo, uma pasta de azeite de oliva (levemente aquecido) e uma colher (sopa) de mel e uma colher (chá) de canela em pó;

Ø Para problemas de coração, substitua a manteiga e geléia por uma pasta de mel e canela (veja só: descobriu-se que o mel com canela revitaliza e limpa as artérias e veias dos pacientes idosos);

Ø Para artrite e infecções renais, beba de manha e à noite uma mistura de uma xícara de água morna com duas colheres (sopa) de mel e uma colher (chá) de canela em pó.

A disciplina é sempre um fator importante para o sucesso desse tipo de iniciativa. Já sabe que quando repetimos uma ação muitas vezes ela fica gravada em nossas células até se tornar um hábito natural e espontâneo. Vamos aproveitar esse sábio conceito oriental para melhorar à saúde, acalentando dentro de nós o direito da longevidade: afinal, fomos programados para viver 120 anos de boa vida.

sábado, 26 de junho de 2010

Reconstruir as ruínas imensas que nos rodeiam



Algumas vezes sabemos dentro de nós que devemos fazer qualquer coisa semelhante a plantar uma árvore, mesmo sabendo que nunca comeremos dos seus frutos nem descansaremos à sua sombra. Ou descobrimos que devemos aplicar-nos não tanto ao nosso pequeno problema, mas a reconstruir as ruínas imensas que nos rodeiam. E nunca como então somos tão grandes.
E nunca como então estamos tão perto de nós mesmos.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Oi Dona Felicidade!!

Dizem que Dona Felicidade mora longe dos sonhadores, mas não é verdade não! Dona Felicidade mora sempre onde colocamos os nossos sonhos. Uns, colocam seus sonhos em lugares muito altos, imaginam que ser feliz é possuir tudo, outros, já calejados pela vida e pelas lutas do dia a dia, aprenderam a colocar seus sonhos em lugares próximos, buscando realizar apenas um sonho de cada vez.

Dona Felicidade, ao contrário do que dizem as más línguas, não é exigente, não é "madame esnobe" que se esconde do povo, pelo contrário, Dona Felicidade é simples e muito humilde, é tão simples e tão humilde que as vezes está bem na nossa cara e não a enxergamos.

Quantas pessoas passam uma vida inteira procurando por ela e ela está bem na frente de seus narizes. Mas, tem uma coisa, Dona Felicidade exige que cada pessoa que deseja realmente encontrá-la, vá pessoalmente procurá-la, aí daqueles que entregam a sua felicidade na mão dos outros, aí daqueles que esperam que outras pessoas venham trazer a felicidade para suas vidas.

Pobre daqueles que investem as suas vidas em tentar mudar alguém, em consertar uma pessoa, em julgar outras... Dona Felicidade está sentada à sua frente, está pertinho de você, basta enxergar a vida com a lente da simplicidade, dar o primeiro sorriso (afinal Dona Felicidade é muito alegre), dar o primeiro passo para se libertar de qualquer tipo de escravidão (Dona Felicidade é a própria liberdade), parar de ser a vítima infeliz (Dona Felicidade não acredita em vítimas, acredita em ação e reação).

Por fim, Dona Felicidade manda um recado para você que por qualquer motivo esteja sofrendo, esteja triste, desanimado da vida: "o tempo é o melhor remédio e melhor conselheiro" para qualquer situação, não julgue,deixe o tempo trazer a resposta.

Enquanto isso, lute pela sua felicidade,lembre-se que você é a parte mais importante de sua vida e muito importante para a própria vida.

Sorria !!!

Razão

Razão, Estação ou Vida Inteira...

Pessoas entram na sua vida por uma "Razão",

Uma "Estação" ou uma "Vida Inteira".

Quando você percebe qual deles é,

Você vai saber o que fazer por esta pessoa.

Quando alguém está em sua vida por uma "Razão"... é,

Geralmente, para suprir uma necessidade que você demonstrou.

Elas vêm para auxiliá-lo numa dificuldade,

Te fornecer orientação e apoio, ajudá-lo física,

Emocional ou espiritualmente.

Elas poderão parecer como uma dádiva de Deus, e são!

Elas estão lá pela razão que você precisa que eles estejam lá.

Então, sem nenhuma atitude errada de sua parte,

Ou em uma hora inconveniente,

Esta pessoa vai dizer ou fazer alguma coisa

Para levar essa relação a um fim.

Ás vezes, essas pessoas morrem.

Ás vezes, eles simplesmente se vão.

Ás vezes, eles agem e te forçam a tomar uma posição.

O que devemos entender é que nossas necessidades

Foram atendidas, nossos desejos preenchidos

E o trabalho delas, feito.

As suas orações foram atendidas.

E agora é tempo de ir.

Quando pessoas entram em nossas vidas por uma "Estação",

É porque chegou sua vez de dividir, crescer e aprender.

Elas trazem para você a experiência da paz, ou fazem você rir.

Elas poderão ensiná-lo algo que você nunca fez.

Elas, geralmente, te dão uma quantidade enorme de prazer...

Acredite! É real! Mas somente por uma "Estação".

Relacionamentos de uma "Vida Inteira"

Te ensinaram lições para a vida inteira:

Coisas que você deve construir para ter

Uma formação emocional sólida.

Sua tarefa é aceitar a lição, amar a pessoa,

E colocar o que você aprendeu em uso em todos

Os outros relacionamentos e áreas de sua vida.

É dito que o amor é cego,

Mas a amizade é clarividente.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Os Donos do Mundo

O apego a coisas ou pessoas é um dos fatores que mais causa insatisfação do ser humano. Vivemos com medo de perder o que, na verdade, não é nosso. Ao chegarmos ao mundo, como bebês o fazem com as mãozinhas fechadas e vazias.

Ao deixarmos este mundo, morrendo, o fazemos com as mãos abertas, mas ainda vazias. Eis um sinal de alerta: o universo nos mostrando que possuir alguma coisa ou alguém não é nossa missão nesta Terra. O apego denota a noção de propriedade. E é um engano.

Quando analisamos com objetividade qualquer coisa da qual nos sentimos donos, descobrimos que apenas a possuímos por algum tempo. Peguemos como exemplo a casa em que moramos. Fisicamente estamos lá e fazemos uso dela.

Mas, sendo ou não eu a proprietária, a casa não depende do ato físico da minha presença, e sim de um consenso de noções sobre a minha relação com essa propriedade específica. Imagine que eu vá passar uma temporada em outro país e pena a você que more na minha casa. Um belo dia, eu lhe telefono avisando que n‹o vou mais voltar e lhe dou a casa.

Nessa noite, na sua sala, nada físico ou tangível terá mudado. Você ainda continua morando lá, como fez nos últimos anos. Mas agora você é o "proprietário". Nesse momento, já vai quer saber quanto o edifício vale e sua atitude terá mudado porque agora a casa é "sua". Até quando? Toda posse é temporária.

Permanente é o desejo humano de possuir. Tanto que no momento em que conseguimos algo já começamos a pensar em ir atrás de outra coisa. E no momento em que perdemos algo que possuíamos, sofremos.

Mas que tal se parasse de sofrer pelo inevitável? Pense bem: até nosso corpo não é nosso para sempre - somos seus ocupantes temporários... Igualmente impermanentes são os relacionamentos e o melhor a fazer é aprender a lidar com isso. Como? Treinando o desapego das coisas materiais, o desapego amoroso, o desapego total. Porque nada nem ninguém é seu nem meu. Nem nossos filhos são nossos Ð são presentes que o universo nos oferece para cumprirmos nossa missão de criá-los.

O desapego traz paz de espírito, felicidade duradoura. Paramos de ter medo de perder, de ter o desejo de possuir. E aí se dá o mais interessante: ao pararmos de correr atrás das coisas e das pessoas e passarmos a viver conectados com a nossa essência, nos descobrimos donos do universo inteiro!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Inevitabilidades

Quanto a ele, sabe exatamente como chegou ate aqui. Vê a lógica da repetição do padrão do qual não poderia fugir. Vê claramente a cor agreste do padrão simétrico e distante que nunca poderias ter evitado. Não tens direito a esse desespero. Porque o fraco de possibilidade que ele teve foi tirado docemente por ti. Ah, que importa que não tenhas culpa? No final, tudo o que sabe, é que foste tu que arruinaste aquela existência áurea e pacifica. Que importa que tenha sido uma fatalidade triste e melancólica ao som de um Sol que não tem força para aquecer? Que importa que tenha sido um belo e romântico flanco porque o amavas demais e ele amava-te e não podia nem devia? Agora está exatamente onde pertence. Nada é perfeito. E ele vai-se sempre embora amanhã, a pergunta é se sente a tua falta o suficiente para voltar sem nunca deixar de ter partido? Sim, a pergunta é essa. Consegues ficar com um pedaço dele? Não. Claro que não. E sempre souberam isso. Por isso é que ele sabe exatamente como chegou aqui, a esta realidade agradável onde tu não existes.

Dureza

Continua a ser confusamente curiosa a forma como o teu Universo se inverteu e continuaste exatamente no mesmo lugar. Já não és tu e, no entanto, não poderia ser mais teu esse teu eu. Não deixa de ser esquisita a rotina de uma época tornar-se numa memória distante da qual te lembras tenuamente. Foi a tua vida, foste tu, um eu bem definido e delimitado que depois morreu e que tu enterraste num canto da praia.

Apareceste de negro cru no teu funeral e foi o único que não gastou lágrimas prateadas. Foi o único que soube exatamente o que estava a acontecer e qual a drástica conseqüência de um gesto tão inocente e tão simples. Por isso, foi o único no teu funeral cujo rosto foi firme e duro, insensível como uma pedra. Não ias sentir a falta do teu eu. Continua a ser estranho. Porque andaste a percorrer um circulo, mas caminhou sempre numa linha Reta. Fim e Inicio. Tão simples, tão conciso, tão êxito. E, no entanto, perdeste-te nas voltas que deste. És tu, continuas a ser tu. Mas quebraste a rotina de um eu que agora já nem sabes quem era. Tu, num mundo paralelo queimado. Não sentes qualquer saudade do teu morto eu.

Inútil

“O passado é inútil como um trapo”. Ele passou pela tua rua e a memória daqueles tempos doces de cheiro a amoras selvagens brilhou-lhe no coração durante um fraco de tempo. Mas depois até essa memória da memória lhe desaparece da mente. E a memória é objetivo, é fria. Não sente nada para alem de uma sensação de familiaridade, que é sempre uma sensação suavemente calorosa. Não sente para alem daquele arrepio de Dé já Vu porque já apanhou este autocarro antes, já saiu nesta mesma paragem antes, contigo a salvo no peito. Mas é inútil. Porque é o mesmo eu dele. É o mesmo autocarro. É a mesma rotina, o mesmo quotidiano. É a mesma cidade, permaneceu imóvel a esse romance falhado. Um romance falhado serve unicamente para uma espécie de aviso de não repetição. Uma cicatriz no coração. Um romance falhado é uma marca sensorial e são serve para isso, para se dizer que se viveu de alguma forma de alguma maneira. Amor não existe sem certo conceito de aleatoriedade. Foi tudo inútil, agora nada existe. Até o flanco foi inútil. Gastaste-o e ele renasceu e já não sabe quem és. Recorda-te como se recorda de uma equação brilhante matemática ou de monumento magnificente que o fascinou. Recorda-te sem se lembrar de quem és. “O passado é inútil como um trapo”.

Destino

Se pensares bem, ele estava destinado a ser isto. Desde o inicio. Desde sempre. O flanco espetacular da tua própria expectativa. Se vires corretamente, como naqueles filmes memoráveis que viste tantas vezes, concluir as que ele nunca pode ser outra qualquer coisa. Para alem disto. De este ser. Sei que o tentaste salvar. Mas era inútil. O salvamento era inútil. Ele não queria ser salvo, nunca quis. Houve, de fato, uma altura em que procurou outra saída. Mais bonita mais adequada. Mas não, não teve essa oportunidade. Acabou exatamente como acaba as pessoas como ele. Entende. Ele quer perder-se em cigarros sombrios, em uísques sucessivos. Ele quer ser esse ser. Ele nasceu para ser esse ser. Podes esforçar-te por evitar, mas não podes bloquear aquele nervo sensorial e consciente que o leva exatamente para onde pertence. Para onde lhe guardam um lugar. O mundo dos loucos. É esse o seu lar. Bem o tentou, ganhar outro lar contigo. Mas foi inútil. Ele também é louco, sempre o foi. Sempre o será. Aquilo a que chamas salvação é uma forma de vida. É a forma de vida dele, desde o inicio. Desde sempre. Ele é feliz assim. Inteiramente louco. Inteiramente ele. Adiaste este destino, mas não o podias bloquear. Ele é ele, nasceu para isto. Foi tempo de vida inútil que gastaram os dois.

Carta de Despedida

Afogar a mágoa em qualquer coisa, ainda que seja corrosiva, soa melhor do que deixá-la viver a vida que ainda existe em mim. Deixá-la viver a existência que é a minha.

Lamento.

Se não estás aqui é porque, lá no fundo, nunca quiseste ficar e eu nunca quis que ficasses. É porque, lá no fundo, não existes. Já não existes. Os mortos algum dia acabam por ser esquecidos. Nunca quis eu, verdadeiramente, que ficasses.

Lamento.

Por mim. Porque todos os mortos serão esquecidos, um dia. E sei que algures morri. Haverá um dia em que já não saberei quem sou. Haverá um dia em que me esgotarei em pensamentos inúteis e vazios. Precedentes de atos que nunca executei. Algures, morri.

Lamento.

Que me tenhas ferido na única coisa intocável na existência humana – o meu conceito de futuro.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Ola, sofrimento!

UM GRANDE SABIO INDIANO disse uma vez: se você conseguir enfrentar o tigre da vida, poderá conseguir tudo o que quiser. Mas o que é esse animal feroz, que ao ser domado nos garante o bem viver? É o sofrimento, que precisa ser encarado de maneira saudável e positiva. No dia a dia, estamos constantemente competindo em todos os sentidos: no mercado de ações, no trabalho, nos relacionamentos. Nada é seguro. Perceber essa impermanência como liberdade e não angustia faz toda a diferença.

Como colocar isso em pratica? Abraçando o sofrimento em vez de fugir dele. Apenas quando aceitamos nossos medos e inseguranças é que eles desaparecem. E isso é feito de forma fácil por meio da meditação. Agora mesmo, durante este pensamento, procure uma posição confortável. Mantenha a coluna ereta, feche os olhos, inspire profundamente, traga a sua atenção para o aqui e o agora e comece a relaxar. Perceba os desconfortos do seu corpo gerados pela postura rígida que costumamos ter perante a vida.

Foque o seu pensamento no seu sofrimento, no seu sofrimento de culpa, em algum medo, em alguém que o magoou. E permaneça aí – simplesmente permaneça aí. Encare a experiência como ser sua criança interior estivesse brincando de esconde-esconde. Continue inspirando e experirando profundamente e sinta seu corpo se soltando, se abandonando a essa descontração.

Quantas vezes você já ouviu dizer que toda doença tem um fundo psicológico envolvido em seu aparecimento? Trabalhe as emoções faz bem e gera saúde, alem de evitar queda em emoções faz bem e gera saúde, alem de evitar queda em nosso sistema imunológico.

Quando permanecemos abraçados ao sofrimento como se fosse nosso melhor amigo, ele começa a se dissipar. É algo automático, que não requer esforço. Ou seja: sinta a dor até a última gota porque então ela acaba.

Essa postura requer mudança de atitude interna que há milênios está gravada em nossas células: fugir diante da dor. Mas dá para mudar, e você pode assumir agora o compromisso de fazê-lo. Crie um novo padrão de comportamento, totalmente focado em saúde e bem viver. A partir daí, sinta como é bom ser feliz!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Não quebres o silêncio
Ele é tudo o que ficou de ti
E já me acostumei a andar
De mãos dadas com ele
Não violes os meus ouvidos
Com palavras e frases nunca ditas,
Nem com promessas caladas
Que machucam a alma
Não me cegues os olhos
Com a tua luz, sob a qual
Fiz-me mariposa tonta
A dançar inebriada
Até cairem-me as asas
Não me macules a boca
Com beijos falsos
E ritos gestuais
Que não são teus
Deixe que o silêncio habite-me
De mansinho entre a espera
E a ilusão,
Anestesiando os dias
Na quietude com que te sonho
Acordada,
Na música que já não ouço,
No frio da tua ausência
Não quebres o teu silêncio
Que calou-me os versos
Que te fazia
Ao pensar que eras meu

Entre o silêncio e a escuridão

E o silêncio era tanto
Que arranhava a alma
E era tão frio que doía
E tão assustador que medrava arrepiando
A pele que nem o morno da noite
Aquecia e o escuro arrastava-se infindável, atrevido; movendo-se calado na sombras que teimavam em brincar de aguçar-me os sentidos.
Dedos trêmulos e longos tateando o nada entre os contornos imaginários da tua silhueta.
Encolhi-me nu em posição fetal até que o silêncio frio e letal rompeu na alvorada, a luz tênuade uma manhã a mais e adormeci...
Já não sei, não conto anos
Foram tantos desenganos que os deixei de contar
Já nem sequer conto os dias frutos de noites tardias feitas de espera e sonhar
Já não conto mais as horas desde que fiz-me senhorado meu tempo pequenino castrei meus sonhos meninos tão tenros de mocidade por uma felicidade que nunca vi na viagem que fiz aqui de passagem Nessa vida retirante conto de hoje em diante os sorrisos das pessoas tardes vividas à toa flôres de muitos jardins rosas, gerânios, jasmins beijos, afagos, lembranças de doces tempos de infância Conto sim, a nossa história trechos rasos de memórias marcas fincadas no rosto o pó de muito desgosto Cheiros de sal e de terra tantas batalhas e guerras Tantas que nunca venci Muitas nas quais eu morri E contarei, com certezada vida, toda a beleza lugares por onde andei Mas dias, anos e mesesfeitos de tantos revezes Eu não mais os contarei

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Grande Caminho não é difícil
Para aqueles que não têm preferências.
Quando o amor e o ódio estão ambos ausentes
Tudo se torna claro e sincero.

Fazendo-se a menor distinção entretanto
O céu e a terra são colocados infinitamente distantes.
Se queres ver a verdade,
Então não tenha opiniões a favor ou contra coisa alguma.
Quando o profundo significado das coisas não é compreendido
A essencial paz da mente é perturbada inutilmente.

O Caminho é perfeito como o vasto espaço
Onde nada falta e nada está em excesso.
Na verdade, é devido à nossa opção em aceitar ou rejeitar
Que não vemos a verdadeira natureza das coisas.

Não vivas enredado pelas coisas externas,
Nem preso às sensações interiores de vazio.
Seja sereno na unidade de todas as coisas
E tais idéias errôneas irão desaparecer por si mesmas.

Quando tentas parar a atividade para alcançar a passividade,
O teu próprio esforço irá te devolver à atividade.
Enquanto permaneceres num extremo ou no outro
Nunca conhecerás a Unidade.

Aqueles que não vivem no Caminho Único
Falham tanto na atividade quanto na passividade,
Tanto na afirmação quanto na negação.

Negar a realidade das coisas é perder sua realidade.
Afirmar o vazio das coisas é perder sua realidade.
Quanto mais falares e pensares sobre isso,
Mais te desviarás para longe da verdade.
Pare de falar e de pensar,
E nada haverá que não possas conhecer.

Retornar à raiz é encontrar o significado,
Mas perseguir as aparências é perder a fonte.
No momento da iluminação interior
Há um caminho além da aparência e do vazio.

Às mudanças que parecem ocorrer no mundo vazio
Chamamos de reais somente porque somos ignorantes.
Não busques a verdade;
Apenas deixe de acalentar opiniões.

Não permaneças no estado dualístico;
Evite cuidadosamente tais investidas.
Se houver, mesmo que seja um traço,
Disto ou daquilo, do certo e do errado,
A essência da Mente se perderá na confusão.
Muito embora todas as dualidades provenham do Um,
Não fiques apegado a este Um.
Quando a mente existe impertubável no caminho,
Nada no mundo pode ofender,
E quando uma coisa não pode mais ofender,
Ela cessa de existir no velho modo.

Quando não surgem mais pensamentos discriminatórios,
A velha mente cessa de existir.
Quando os objetos do pensamento desaparecem,
O motivo do pensamento desaparece;
Assim, quando a mente desaparece, os objetos desaparecem

As coisas são objetos devido ao sujeito (mente):
A mente (sujeito) é assim devido às coisas (objeto).
Compreenda a relatividade de ambos
E a realidade básica: a unidade do Vazio.

Neste Vazio os dois são indistinguíveis
E cada um contém em si mesmo todo o mundo.
Se não discriminares o áspero do fino
Não serás tentado ao preconceito e à opinião.

Viver no Grande Caminho não é fácil nem difícil,
Mas aqueles com visões limitadas são temerosos e irresolutos;
Quanto mais se apressam, mais devagar eles vão,
E o apego não pode ser limitado;
Mesmo o apego à idéia de iluminação é andar sem rumo.

Deixe que as coisas sigam o seu próprio caminho
E não haverá mais o vir ou o ir.
Obedeça à natureza das coisas (tua própria natureza),
E caminharás livremente sem seres perturbado.

Quando o pensamento está escravizado, a verdade está oculta,
Pois tudo é indistinto e nada está claro
E a cansativa prática de julgar traz aborrecimento e cansaço.
Que benefício pode nos trazer a distinção e a separação?

Se queres te movimentar no Caminho Único
Não desgostes nem mesmo do mundo dos sentidos e das idéias.
Na verdade, aceitá-lo plenamente
É identificar-se com a verdadeira Iluminação.
O homem sábio não se esforça para alcançar qualquer meta,
Mas o homem tolo é escravo e ele mesmo se escraviza.

Há somente um darma, uma verdade, uma lei e não muitas.
As distinções surgem das aferradas necessidades do ignorante.
Buscar a Mente com a mente que discrimina é o maior de todos os erros.

O repouso e a intranquilidade derivam da ilusão;
Com a Iluminação não há o gostar e o desgostar.
Todas as dualidades surgem da dedução ignorante.
Elas são como sonhos ou flores no ar,
É tolice tentar capturá-las
O ganho e a perda, o certo e o errado:
Tais pensamentos têm que ser abolidos completamente.

Se o olho nunca dorme, todos os sonhos naturalmente cessarão.
Se a mente não fizer qualquer discriminação,
As dez mil coisas são o que elas são, uma única essência.

Compreender o mistério desta Única Essência
É ser liberado de todas as malhas a que estamos presos.
Quando todas as coisas são vistas igualmente
Alcançamos a atemporal Auto-essência.
Não são mais possíveis comparações ou analogias
Neste estado em que não há nem causas nem relações.

Considere o movimento estacionário e o estacionário em movimento
E ambos, o movimento e o repouso, desaparecerão.
Quando tais dualidades deixam de existir
A Unidade em si mesma não pode existir.
A esta finalidade última, nenhuma lei ou descrição pode ser aplicada.

Para a mente unificada de acordo com o Caminho
Cessam todos os esforços autocentrados.
As dúvidas e irresoluções desaparecem
E a vida na verdadeira fé é possível.
Com um simples golpe estamos livres da escravidão;
Nada nos prende e nós não nos prendemos à nada.

Tudo é vazio, claro, auto-iluminante,
Sem qualquer esforço do poder da mente.
Aqui o pensamento, o sentimento, o conhecimento e a imaginação
Não têm qualquer valor.
Neste mundo da Essencialidade
Não há nem ser nem outra coisa que seja o não-ser.
Para entrar diretamente em harmonia com esta realidade
Diga simplesmente quando a dúvida surgir: “ não dois”.
Neste “ não dois” nada é separado, nada é excluído.
Não importa quando ou onde,
A Iluminação significa entrar nesta verdade.
E esta verdade está além do aumento ou diminuição no tempo e no espaço;
Num simples pensamento estão dez mil anos.

O Vazio aqui, o Vazio lá,
Mas o universo infinito permanece sempre diante dos teus olhos.
Infinitamente grande e infinitamente pequeno;
Sem diferença, pois a definições desaparecem
E nenhum limite é visto.
Isso também ocorre com o Ser e o não-Ser.
Não perca tempo com dúvidas e argumentos que nada têm que ver com isso.

Uma coisa, todas as coisas;
Movem-se e se mesclam sem distinção.
Viver nesta realização
É não ter ansiedade acerca da não-perfeição
Viver nesta fé é a estrada para a não-dualidade,
Porque o não-dual é uno com a mente confiante.

Palavras!
O Caminho está além da linguagem,
Pois nele não há nem o ontem, nem o amanhã, nem o hoje.