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terça-feira, 26 de maio de 2009

Conhecendo sua alma

Não é fácil mudar padrões de comportamento. E também não é impossível. Cada ação gera uma memória em nossas células, que por sua vez impulsiona o desejo de repetir a ação. Esse é o ciclo cármico descrito nos Vedas, antigas escrituras indianas. Pensando nesse ciclo para que a repetição crie o hábito, e este faça com que a ação desejada aconteça espontaneamente dentro de nós.
Sim, porque o poder de nossos pensamentos cria a nossa realidade. E o que você quer ver manifesto em sua vida, sofrimento ou milagre? É claro que todos queremos a segunda alternativa. Mas devido a memórias passadas e traumas, muitas vezes repetimos padrões de comportamento nefasto, sem nem mesmo nos darmos conta. Ter consciência disso é o primeiro passo para a mudança. O segundo é agir, colocando ordem na casa.
A ordem é essencial para nos reconectarmos com nossa verdadeira essência – de pura luz. Quando nos divorciamos dessa essência, não sabemos quem somos o que estamos fazendo aqui. Acabamos por nos autoboicotar, agindo de forma enganada, porque a conexão com o todo foi perdida. Para começarmos nosso processo de autoconhecimento e autodesenvolvimento temos que conhecer o perfil de nossa alma e, a partir daí, evoluir.
Aproveite essa leitura no meu blog, pegue uma folha de papel e faça um exercício revelador. Responda as questões propostas a seguir com três sentimentos que lhe são despertados:
Ø Descreva as emoções que sentiu em uma situação marcante de sua vida (por exemplo, o nascimento de um filho: amor, alegria e paz);
Ø Defina seu propósito de vida (por exemplo: ensinar, transformar as pessoas, criar uma massa crítica para mudar o mundo);
Ø Identifique sua contribuição para a família ou sociedade (por exemplo: ensinar novos paradigmas, gerar felicidade, criar coerência e paz);
Ø Aponte pessoas na história da humanidade que você admira (por exemplo: Jesus Cristo, Shiva e Mahatma Gandhi);
Ø Descreva qualidades em que você busca em um amigo (por exemplo: lealdade, compaixão, divertimento);
Ø Sem modéstia, liste seus talentos (por exemplo: transmitir conhecimento, orientar, comunicar);
Ø Identifique as qualidades que melhor expressam seus relacionamentos (por exemplo: leveza, lealdade, compaixão).

As respostas que você deu a essas questões são as características que melhor descrevem quem você é. Esse é o perfil da sua alma – e, portanto, a chave para o sucesso e a felicidade.
Uma vez que tenhamos decifrado nossa alma, vivenciamos suas características:
Ø Ela está dentro do campo das infinitas possibilidades;
Ø É onisciente: sabe a coisa certa no momento certo para nós;
Ø É capaz de dar saltos quânticos de criatividade;
Ø É capaz abraçar a sabedoria da incerteza;
Ø Co-cria com o universo, como quisermos.

Até a próxima!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Silêncio, por favor

Um dos conceitos mais importantes da filosofia de bem viver é a pratica diária do aquietamento da mente – a meditação. A técnica não exige crença, tampouco habilidade. Como perfeitamente coloca o psicólogo britânico John Clark em seu livro A Map of Mental States (Um Mapa dos Estados Mentais): “A meditação é um método pelo qual a pessoa se concentra mais e mais sobre menos e menos”. Porem, em um mundo na qual recebemos continuidade milhares de estímulos sensoriais, em que somos pressionados a saber cada vez mais e sempre há mais para conhecer, em que competição e o movimento são contínuos e sempre maiores, parar não é tarefa fácil, ainda que seja extremamente simples.
Meditar é parar – estacionar gradativamente, o fluxo de ondas mentais. Quando o corpo fica imóvel e a mente silencia, o que acontece mesmo? Com a palavra o genial físico Albert Einstein: “Penso 99 vezes e nada descubro, paro de pensar e a verdade me é revelada.”
O exercício diário da meditação limpa as impurezas impregnadas em nossa mente, como medo, raiva, ansiedade e culpa. Classificados na Ayurveda (a Tradicional medicinal indiana) como as mais perigosas toxinas que existem, essas emoções negativas nos desequilibram e ainda se transformam em hormônios de estresse, que causam envelhecimento precoce. Por tanto, ao meditar, praticamos um exercício de rejuvenescimento – ao mesmo tempo em que aumentamos a produtividade, a criatividade, a concentração e a inteligência. Mais: a mente apaziguada auxilia na prevenção de doenças e acelera a recuperação física. É ainda é a melhor ferramenta para o autoconhecimento, o autodesenvolvimento e a realização espontânea dos desejos.
Agora, vamos à ação: coluna ereta, solas dos pés firmes apoiadas no chão, feche os olhos e coloque sua atenção a respiração. Observe o ar entrando e saindo dos pulmões. E só. Em inglês, o estado meditativo é definido como “restful alertness”, que pode ser traduzido como “estado de alerta relaxado”. Não é uma beleza? Pratique hoje por 5 minutos, e amanha, e depois... E gradativamente vá aumentando esse tempo. O ideal é chegar à meia hora diária. Melhor ainda se conseguir meditar ao amanhecer e no fim do dia. Mas se entre o ideal e o possível a distância é grande, mas não se incomode. Faça o que der para a sua realidade. Você verá que nesse processo, a cada dia, fica mais fácil viver. Simples assim.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Antes da viagem o silêncio do monitor me fascina, me enfeitiça, me fala de lugares em que eu gostaria de estar, de pessoas que eu gostaria de conhecer, de uma outra forma de mim mesmo em que gostaria de existir e que me está disponível. Começo então a inventar linhas imaginárias, teias de bits, e a enxergar a possibilidade de estar nesses lugares, rodar madrugadas inteiras viajando, conhecer essas pessoas, existir nesse espaço e nesse tempo ...Olho para o screen apagado, para a possibilidade da viagem, e procuro uma explicação. Enquanto isso, lá fora, a tarde morre, sem muitas explicações. Sonhador parto então para a viagem, navego entre bits e cores esperando sempre encontrar a palavra definitiva, o gesto, a explicação, nem que seja em algum beco escuro da manhã. Através do monitor contemplo agora o sol se pondo em Lajeado, e tenho uma vontade imensa de arranhar a noite com as minhas unhas de bits, esculpidas por esse novo tempo em que vivo. Navego devorado pela minha própria ansiedade, iluminado pela minha própria sede de luz, e às vezes penso tocar o sentido disso tudo, penso estar alcançando a poeira dos primeiros passos ...mas em um ponto qualquer do viagem descubro que não importa a estrada, o caminho é feito sempre do mesmo desenrolar de máscaras e gestos repetidos. A grande rede, com as suas teias movediças, às vezes nos engole e não nos deixa perceber a vida, que lá fora passa como música que não conseguimos ouvir. Enquanto na rede os bits trafegam solitários, à procura de nada, nas esquinas da noite os corpos se encontram, se tocam. Desfragmentamo-nos diariamente, como se pudéssemos preencher todos os espaços que desvendamos no ciberespaço, e enquanto isso, todos os dias, esqueçamos de saudar o sol que está se pondo. Lá em Lajeado o sol já se pôs e cai agora uma chuva fina, que não consegue molhar as imagens que desfilam diante de meus olhos perturbados. No silêncio dos bits procuro a voz do tempo, mas acabo sempre calando a minha revolta. Tímido, escondo o rosto e a alma, tento esconder os meus fantasmas e continuo a navegar por supervias que não levam a lugar algum. Em cada despedida minha, em cada shut down, parece que existe um ensaio da morte adiada, transformando a vida em uma poesia que não termina nunca. No fim de tudo vem a vertigem de navegar noites e noites, rodando madrugadas inteiras atrás de um rosto, de uma palavra, de um lugar, e de descobrir que os mesmos bits enferrujados que circulam nas veias de anjos binários circulam em nossas veias enferrujadas pelo tempo. Todo instante viajado tem a sua cor, a sua vida, o seu mistério e um pouco de eternidade.