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quinta-feira, 11 de março de 2010

Não quebres o silêncio
Ele é tudo o que ficou de ti
E já me acostumei a andar
De mãos dadas com ele
Não violes os meus ouvidos
Com palavras e frases nunca ditas,
Nem com promessas caladas
Que machucam a alma
Não me cegues os olhos
Com a tua luz, sob a qual
Fiz-me mariposa tonta
A dançar inebriada
Até cairem-me as asas
Não me macules a boca
Com beijos falsos
E ritos gestuais
Que não são teus
Deixe que o silêncio habite-me
De mansinho entre a espera
E a ilusão,
Anestesiando os dias
Na quietude com que te sonho
Acordada,
Na música que já não ouço,
No frio da tua ausência
Não quebres o teu silêncio
Que calou-me os versos
Que te fazia
Ao pensar que eras meu

Entre o silêncio e a escuridão

E o silêncio era tanto
Que arranhava a alma
E era tão frio que doía
E tão assustador que medrava arrepiando
A pele que nem o morno da noite
Aquecia e o escuro arrastava-se infindável, atrevido; movendo-se calado na sombras que teimavam em brincar de aguçar-me os sentidos.
Dedos trêmulos e longos tateando o nada entre os contornos imaginários da tua silhueta.
Encolhi-me nu em posição fetal até que o silêncio frio e letal rompeu na alvorada, a luz tênuade uma manhã a mais e adormeci...
Já não sei, não conto anos
Foram tantos desenganos que os deixei de contar
Já nem sequer conto os dias frutos de noites tardias feitas de espera e sonhar
Já não conto mais as horas desde que fiz-me senhorado meu tempo pequenino castrei meus sonhos meninos tão tenros de mocidade por uma felicidade que nunca vi na viagem que fiz aqui de passagem Nessa vida retirante conto de hoje em diante os sorrisos das pessoas tardes vividas à toa flôres de muitos jardins rosas, gerânios, jasmins beijos, afagos, lembranças de doces tempos de infância Conto sim, a nossa história trechos rasos de memórias marcas fincadas no rosto o pó de muito desgosto Cheiros de sal e de terra tantas batalhas e guerras Tantas que nunca venci Muitas nas quais eu morri E contarei, com certezada vida, toda a beleza lugares por onde andei Mas dias, anos e mesesfeitos de tantos revezes Eu não mais os contarei