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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Não tenho nada. Nunca tive. Tenho apenas aquilo que sou. Pura e simplesmente. Não sei se é muito ou pouco, sei apenas o quão difícil é ser-se quem se é, sem rima nem mestria, perante a magnitude dos gestos que marcam a inevitabilidade do destino. Do alto desta estatueta peregrina que sou eu, às vezes sinto que ando em círculos, preso a uma geometria obscena, onde tudo parece imutável e onde a única coisa que muda não é o caminho, mas a perspectiva.
Ou se calhar é ao contrário. Não sei. Não sei nada. 
Entre a dor e a sombra, tudo o que perdura permanece assim... suspenso no tempo dos círculos infinitos. Às vezes a vista lança-se feroz para lá do horizonte daquilo que nunca serei. Sinto medo e volto atrás. Depois há aqueles dias em que ganho coragem e toco muito ao de leve bem no centro desse círculo que é meu. E lá encontro sempre a dor escondida, que arde aos poucos, no meio de uma chama que não se extingue. Assalta-me a vontade de fugir para um espaço suspenso no universo das coisas simples. Noutros dias pego numas aguarelas e começo a colorir o futuro. Mas de que cor? De que cor é que se pinta o futuro? De que cor é que se pinta uma sombra? Ela olha-me e responde-me com um sorriso de ironia. Já travamos duras batalhas eu e a minha sombra. Rendi-me no dia em que percebi que sempre que o sol me acariciava o rosto, era ela que me apoiava as costas.

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