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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Os Donos do Mundo

O apego a coisas ou pessoas é um dos fatores que mais causa insatisfação do ser humano. Vivemos com medo de perder o que, na verdade, não é nosso. Ao chegarmos ao mundo, como bebês o fazem com as mãozinhas fechadas e vazias.

Ao deixarmos este mundo, morrendo, o fazemos com as mãos abertas, mas ainda vazias. Eis um sinal de alerta: o universo nos mostrando que possuir alguma coisa ou alguém não é nossa missão nesta Terra. O apego denota a noção de propriedade. E é um engano.

Quando analisamos com objetividade qualquer coisa da qual nos sentimos donos, descobrimos que apenas a possuímos por algum tempo. Peguemos como exemplo a casa em que moramos. Fisicamente estamos lá e fazemos uso dela.

Mas, sendo ou não eu a proprietária, a casa não depende do ato físico da minha presença, e sim de um consenso de noções sobre a minha relação com essa propriedade específica. Imagine que eu vá passar uma temporada em outro país e pena a você que more na minha casa. Um belo dia, eu lhe telefono avisando que n‹o vou mais voltar e lhe dou a casa.

Nessa noite, na sua sala, nada físico ou tangível terá mudado. Você ainda continua morando lá, como fez nos últimos anos. Mas agora você é o "proprietário". Nesse momento, já vai quer saber quanto o edifício vale e sua atitude terá mudado porque agora a casa é "sua". Até quando? Toda posse é temporária.

Permanente é o desejo humano de possuir. Tanto que no momento em que conseguimos algo já começamos a pensar em ir atrás de outra coisa. E no momento em que perdemos algo que possuíamos, sofremos.

Mas que tal se parasse de sofrer pelo inevitável? Pense bem: até nosso corpo não é nosso para sempre - somos seus ocupantes temporários... Igualmente impermanentes são os relacionamentos e o melhor a fazer é aprender a lidar com isso. Como? Treinando o desapego das coisas materiais, o desapego amoroso, o desapego total. Porque nada nem ninguém é seu nem meu. Nem nossos filhos são nossos Ð são presentes que o universo nos oferece para cumprirmos nossa missão de criá-los.

O desapego traz paz de espírito, felicidade duradoura. Paramos de ter medo de perder, de ter o desejo de possuir. E aí se dá o mais interessante: ao pararmos de correr atrás das coisas e das pessoas e passarmos a viver conectados com a nossa essência, nos descobrimos donos do universo inteiro!

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