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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Dureza

Continua a ser confusamente curiosa a forma como o teu Universo se inverteu e continuaste exatamente no mesmo lugar. Já não és tu e, no entanto, não poderia ser mais teu esse teu eu. Não deixa de ser esquisita a rotina de uma época tornar-se numa memória distante da qual te lembras tenuamente. Foi a tua vida, foste tu, um eu bem definido e delimitado que depois morreu e que tu enterraste num canto da praia.

Apareceste de negro cru no teu funeral e foi o único que não gastou lágrimas prateadas. Foi o único que soube exatamente o que estava a acontecer e qual a drástica conseqüência de um gesto tão inocente e tão simples. Por isso, foi o único no teu funeral cujo rosto foi firme e duro, insensível como uma pedra. Não ias sentir a falta do teu eu. Continua a ser estranho. Porque andaste a percorrer um circulo, mas caminhou sempre numa linha Reta. Fim e Inicio. Tão simples, tão conciso, tão êxito. E, no entanto, perdeste-te nas voltas que deste. És tu, continuas a ser tu. Mas quebraste a rotina de um eu que agora já nem sabes quem era. Tu, num mundo paralelo queimado. Não sentes qualquer saudade do teu morto eu.

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