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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Carta de Despedida

Afogar a mágoa em qualquer coisa, ainda que seja corrosiva, soa melhor do que deixá-la viver a vida que ainda existe em mim. Deixá-la viver a existência que é a minha.

Lamento.

Se não estás aqui é porque, lá no fundo, nunca quiseste ficar e eu nunca quis que ficasses. É porque, lá no fundo, não existes. Já não existes. Os mortos algum dia acabam por ser esquecidos. Nunca quis eu, verdadeiramente, que ficasses.

Lamento.

Por mim. Porque todos os mortos serão esquecidos, um dia. E sei que algures morri. Haverá um dia em que já não saberei quem sou. Haverá um dia em que me esgotarei em pensamentos inúteis e vazios. Precedentes de atos que nunca executei. Algures, morri.

Lamento.

Que me tenhas ferido na única coisa intocável na existência humana – o meu conceito de futuro.

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